Resenha
A evolução sócio histórica do judo.
A pesquisa realizada por Cordeiro Jr. et al - A
EVOLUÇÃO SÓCIO-HISTÓRICA DO JUDÔ: PRIMEIRAS APROXIMAÇÕES - publicada pela
revista da Educação Física/ UEM em 1999 tem por objetivo apontar uma proposta
inicial do judô como conhecimento
escolar da educação física, sem perder de vista a relação entre a luta e a
prática social global de nossa sociedade, isto é, as relações que o judô mantém
com a educação, com a saúde, com o lazer, com o trabalho, com a economia etc,
considerando esta arte marcial a partir da chegada dos imigrantes japoneses ao
Brasil, e conseqüente o contato da cultura deles com a nossa, passou a
constituir a cultura corporal brasileira .Com efeito, aliando a historicização
dos conteúdos e suas relações com a prática social,espera-se que o aluno
perceba a sua realidade como algo dinâmico e mutável, assumindo seu papel de
sujeito na história de seu tempo, defendendo os interesse da classe que vive do
trabalho.
Numa
concepção materialista da história, o judô deve ser ensinado como algo que
resulta de um processo histórico específico, fruto de circunstâncias
específicas, resultado e síntese de múltiplas determinações. O aluno precisa
entender que, num contexto histórico feudal, marcado pela tirania dos latifúndios,
a luta entre camponeses e samurais foi preciso que os camponeses desenvolvessem
uma prática corporal – no caso o jiu jitsu – coletiva que lhes
permitisse abordá-lo (com apreensão de braços e/ou de pernas) e rapidamente
derrubá-lo,e então aplicar nele chaves, torções etc. Com a urbanização e
modernização do japão constituiu-se leis,
justiça, polícia, enfim, uma nova necessidade histórica para o povo
japonês: o convívio urbano. A partir de uma nova necessidade social, surge
também uma nova prática corporal: o judô. Seu precursor, Jigoro Kano, pensou
numa luta que mantivesse as tradições culturais japonesas, mas que se adequasse
aos novos tempos, nos quais não fazia mais sentido lutar até a morte. Assim,
mesmo o ensino das técnicas e dos fundamentos do judô não ocorre de forma
isolada e estática, mas sim dentro de um contexto sociocultural que lhe dá
sentido e significado histórico. O ensino deixa de ser alienante, pois o aluno,
além de fazer, sabe porque está fazendo, sabe também por exemplo, que as quedas
e os rolamentos possuem um significado histórico, qual seja: eliminar as
contusões traumáticas e contundentes do antigo jiu jitsu que visava à
morte do oponente.
Com
o passar do tempo de prática corporal que no Japão liga-se às mais profundas
raízes da cultura de seu povo, o judo passou a esporte de alto rendimento,
entrando para as olimpíadas em 1964, sendo assim universalizado. O fato é que,
tendo se tornado esporte de rendimento, o judô incorpora os processos de
seleção e de especialização de atletas, o treinamento desportivo exaustivo, e o
dopping, assim, seu sentido histórico-cultural original é deixado de
lado em muitos países ocidentais. Seguindo esta linha de estudo Cordeiro Jr. et
al sugere possibilitar ao aluno
experimentar os bastidores do judô como esporte-espetáculo. Isto é, como os
atletas de judô se preparam para uma competição, como é seu processo de
treinamento desportivo, por exemplo.
Cordeiro
Jr et al. afirma que um dos objetivos principais aqui é levar as crianças a pensarem
sobre o papel da educação em nossa sociedade, especialmente através da escola.
Será que nossas escolas têm o costume de ensinar coisas sobre o judô? Por que
sim ou por que não? Como ensinam? Quantas coisas interessantes e relevantes
sobre o judô elas podem ensinar? O que nossos pais, avós, amigos e parentes
sabem ou não sobre o judô?Qual sua relação com o Lazer, a promoção a saude.
Destaca que o esporte-espetáculo possui uma enorme incidência nos meios de
comunicação de massa (rádio e televisão), a presença do judô também pode ser
captada no rádio e na TV, tendo estes recursos o professor pode se utilizar
desta facilidade para levantar questões como as técnicas do judô vistas a
partir da TV, aspectos econômicos e políticos do mesmo, o que pensam os atletas
de judô como cidadão. Quanto ao comercio de produtos e material esportivo para
o judo se faz necessario estimular uma
reflexão crítica sobre os verdadeiros objetivos deste comércio: promover o judô
ou ganhar dinheiro? Como as pessoas que lutam judô fazem para obter os
equipamentos e os acessórios necessários para sua prática? etc.
É
importante também ensinar os alunos que foi com a chegada de imigrantes
japoneses, que o judô chega ao Brasil. No início, o judô era uma forma de matar
as saudades da terra natal, isto é, uma maneira de os japoneses manterem suas
tradições e sua identidade cultural. Posteriormente, quando alguns desses
imigrantes, já cidadãos e trabalhadores brasileiros, ficam desempregados, sem
fonte de renda e sem poder sustentar suas famílias, surgem as primeiras
academias de judô no Brasil. Elas surgem como uma forma encontrada pelos
imigrantes de ensinar algo que eles conheciam profundamente, o judô, fazendo
disso um meio de sustento para suas vidas. Com isso, muitos brasileiros também
começam a aprender o judô, sem falar dos filhos dos imigrantes japoneses,
nascidos no Brasil, que também ajudaram a difundir esta luta entre nós.
Para finalizar Cordeiro Jr et al lembra que sistematização do conteúdo judô nas aulas de
educação física nunca será um estado final ao qual poderemos chegar, ela será
muito mais um processo permanente de construção de uma dada proposta pedagógica
por este motivo se faz necessario mais estudos sobre o assunto para que o jogo continue, ou melhor, que esta luta
nunca pare.
Nenhum comentário:
Postar um comentário